quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Decidi criar este blog para contar um pouco da minha experiência como revalidando. Uma jornada caracterizada por altos e baixo, porém coroada por um êxito inesperado. Sou uruguaio e médico há seis anos. Surpreendido pelo amor por uma brasileira, cogitei por primeira vez a possibilidade de viver e trabalhar no Brasil! O que no início era objeto de algumas conversas animadas entre minha agora esposa e eu, resultou fundamental depois que descobrimos que vinha um filho a caminho. O que fazer? Como fazer? Muitas foram as dúvidas e poucas as fontes de esclarecimento. Sabíamos, entretanto, que eu necessitava estar legalmente no Brasil para aventurar a revalidação do meu título. Casamos no Uruguai e, em seguida, solicitei o visto permanente. O processo, claro, durou algum tempo, mas consegui. Toda a gravidez transcorreu sob o manto da incerteza. Não sabíamos quando eu iria poder trabalhar para contribuir com o sustento de minha família. Quase um ano após o nascimento do nosso bebê, a situação continuava a mesma. Descobri, em pouco tempo, que o visto somente não seria suficiente para permitir o exercício da minha profissão. Além de ter que me sumeter a processos longos e complexos de revalidação, seria imprescindível provar conhecimento e fluência em português. Um obstáculo a mais que precisava ser superado. Fiz um curso e o exame do CELPE-BRAS. Menos um problema ao obter nível intermediário superior. Ainda faltava muito chão para caminhar. Para completar, descobri que o processo de revalidação de diplomas médicos estava mudando no Brasil. O projeto piloto denominado REVALIDA surgiu como uma proposta de facilitar e acelerar os processos de revalidação. QUE FALÁCIA! O REVALIDA é na verdade uma barreira classista imposta com o objetivo de evitar o ingresso de médicos formados no exterior em território brasileiro. Isso descobri a duras penas. Médico por vocação, acreditei na "boa intenção" do projeto e realizei minha inscrição. Iludido com o sonho de ser avaliado com equidade, surpreendi-me ao descobrir que a prova estava elaborada para especialistas em gineco-obsterícia e pediatria, fundamentalmente. Sem levar em consideração a extensão da prova (110 histórias clínicas de múltipla escolha em cinco horas e mais cinco histórias clínicas discussivas em outras três horas, tudo no mesmo dia) fui tomado pela indignação de ser inadequadamente avaliado. Uma prova de revalidação deve conter proposições que levem em consideração conhecimentos necessários a um médico generalista e não a um especialista. Sem embargo, mantive a esperança de adequação na correção da minha prova. Mais um engano. Após uma correção equivocada da minha prova discussiva (resposta corretas desconsideradas ou com pontuação diversa do padrão de resposta), restei reprovado. Sentia-me como se estivesse nadando contra a maré. Tive a sorte, entretanto, de encontrar alguém que me orientou sobre direitos que possuo e que poderia lutar por eles. Embarcamos em mais uma aventura. Desta vez, com a nau sob comando de gente dígna, honesta e muito bem intencionada. Pleiteamos judicialmente a complementação de estudo em cuja universidade indiquei como a competente para a revalidação do meu título. MUITOS DE NÓS DESCONHECEMOS QUE, MESMO REPROVADOS, ISSO É UM DIREITO. O advogado que patrocinou minha causa explicou-me de forma clara que O PROCESSO DE REVALIDAÇÃO NO CHAMADO REVALIDA NÃO SE ENCERRA COM A REPROVAÇÃO. A lei me confere o direito de cursar complementação de estudo a fim de poder obter a pretendida revalidação. Tema ainda novo nos tribunais, tinha poucas certezas a respeito do deferimento do direito. Segundo fui informado, até a presente data havia apenas uma decisão favorável por complementação de estudos no processo do REVALIDA em todo o Brasil. Entretanto, nunca perdi a fé na justiça brasileira. De forma célere e justa, CONSEGUI DECISÃO FAVORÁVEL AO MEU PEDIDO DE COMPLEMENTAÇÃO DE ESTUDO, MESMO HAVENDO SIDO REPROVADO NO REVALIDA. Aguardo agora os trâmites legais para cursar, já no início do ano letivo de 2013, as matérias indicadas no parecer que avaliará a equivalência entre os cursos de medicina em questão. COM ESSA DECISÃO, APARECE UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL PARA AQUELES QUE QUEREM E PRECISAM INGRESSAR EM TERRITÓRIO BRASILEIRO COM O OBJETIVO DE EXERCER DIGNAMENTE SUA PROFISSÃO DE MÉDICO. ACREDITAR NA EFETIVIDADE DA JUSTIÇA CONTRA OS DESMANDOS ADMINISTRATIVOS DO REVALIDA FOI A MINHA SORTE!
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Preciso sua ajuda!
ResponderExcluirEu sou médica alema, com dotorado, especialista em neurologia já trabalhando 12 anos lá. Meu esposo é brasileiro (medico tambem, que fez a especializacao na Alemanha e agora depois 10 anos lá queria voltar para Brasil). Eu fui recibido aqui em este pais arrogante como idiota. A UFBA perdeu meus documentos (originais, traducoes de tradutor oficial ect.), eu tenho que fazer o EXAME de Revalida (que foi criado para os médicos brasileiros que estudaram nas universidades baratas sem nemhuma experiencia profisional), que só tem uma vez por ano e é um caos. E eu espero aqui já 7 meses sem fazer nada (com 3 filhos!), vendo os pacientes neurologicas na rua sem acompanhamento...
Mas tenho uma proposta:
ResponderExcluirquem quer fazer a especializacao o só trabalhar como médico na Alemanha! quem tem interesse- me pode contatar http://orcmundomedicos.blogspot.com.br/
Entrar lá é muito mas facil, transparente e agradavel, que no Brasil em este caos burocrático onde ninguem dar informacoes corretas.
Eu sei bem do que você fala porque eu passei por coisas muito ruins também. Mas, acho que para resolver sua situação sobre os documentos perdidos você deve fazer contato com um advogado que conhece esse tipo de assunto. O advogado que me ajudou foi Dr. Fábio Queiroz. O e-mail dele é fabioqueiroz.adv@gmail.com
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